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Por.: Antonio Marcos Ribeiro
UNEB/Campus XIII

O islamismo surgiu na península Arábica uma região de vastos desertos como coloca Hourani (1995, p. 26):

[...] A maior parte da península arábica era estepe ou deserto, com oásis isolados contendo água suficiente para cultivo regular. Os habitantes falavam vários dialetos do árabe e seguiam diferentes estilos de vida. Alguns eram nômades criadores de camelo, carneiros ou cabras, dependendo dos escassos recursos de água do deserto; eram tradicionalmente conhecidos como “beduínos”.

A Arábia pré-islâmica era marcada por um fluxo comercial intenso com caravanas que cruzavam constantemente o deserto. A ordem nessa época era: habitantes nômades, seminômades e poucos sedentários politeístas e animistas vivendo sob autoridade de chefes eleitos. Uma peregrinação a Meca, convergência de caravanas, ocorria todos os anos ante a pedra negra onde estavam expostos todos os ídolos das tribos na Caaba. Era uma oportunidade de se obter vantagens materiais o que causava rivalidades entre os comerciantes.

Ao nascimento de Maomé (570) existia na Arábia uma divisão enquanto sociedade e religião. Um vago sentimento de unidade existia apenas numa língua poética comum. Maomé era da tribo dos coraixitas o que consequentemente entrou para o comércio de caravanas no qual se destacou pela sua habilidade nos negócios. Casou-se com Kadija, viúva rica que lhe encarregou todos os bens. Em suas constantes viagens conheceu diferentes culturas, religiões principalmente o judaísmo e cristianismo no qual se diz serem influenciadoras do Islamismo. Em 610 começou a receber revelações de Deus pelo anjo Gabriel a partir de então passou a difundir sua nova fé. A principio sua crença prejudicava os interesses econômicos de Meca sendo hostilizado foi para Yatreb ocorrendo assim a Hégira em 622 marcando o inicio do calendário muçulmano:

Foi nesse período de poder em expansão e luta que a doutrina do Profeta tomou sua forma final. Nas partes do Corão que se julga terem sido reveladas então, há uma maior preocupação com a definição das observâncias rituais da religião e com a moralidade social, as regras de paz social, propriedade, casamento e herança. Em alguns aspectos, dão-se instruções especificas; em outros princípios gerais. Ao mesmo tempo, a doutrina torna-se mais universal, voltada para toda a Arábia pagã, e por implicação para todo o mundo, e separa-se com mais clareza da dos judeus e cristãos. (Hourani, p. 35).

A partir desse momento a luta tornou outra forma Maomé continuou a pregar e agregar em torno de si muitos adeptos. Ao declarar a jihah – guerra santa – seus seguidores tomaram Meca destruindo os ídolos e fundando uma mesquita. O ano de 629 é definido como o ano da fundação do Islã religião monoteísta tendo como livro sagrado O Corão, como um código de moral e justiça. As bases da fé estão assentadas em cinco obrigações essenciais: a crença em Alá e na missão de Maomé seu profeta. Prece cinco vezes ao dia voltado para Meca, jejum no Ramadã, esmola e peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida.

Em pouco tempo as lutas internas cessaram e se acentuou um mercado nacional unificando a Arábia e servindo de base para o processo de expansão externa. O Islã propiciou unidade, disciplina e organização para empreenderem suas guerras de conquista. Hourani (1995, p. 39) coloca nesses termos:

Quando Maomé morreu, houve um momento de confusão entre seus seguidores. [...] Havia três grupos principais entre os seguidores de Maomé: os primeiros companheiros que haviam feito a hégira com ele, um grupo interligado por endogamia; homens importantes de Medina, que tinham feito aliança com ele lá; e os membros das principais famílias de Meca, basicamente de conversão recente. [...] Numa reunião de íntimos colaboradores e líderes, escolheu-se um primeiro grupo como sucessor do Profeta (khalifa, de onde a palavra “califa”): Abu Bakr, um seguidor de primeira hora, cuja filha ‘A’isha era esposa de Maomé.

Fatores internos e externos facilitaram por uma conjuntura favorável. No plano interno o Islamismo cumpriu importante papel na unificação política da Arábia dando origem a um Estado organizado. No plano externo a expansão foi favorecida pela fraqueza dos adversários que se rivalizavam há anos, além dos seus problemas internos. A medida que se processava a expansão, sucediam-se as dinastias dirigentes do Estado organizado por seus seguidores. Criaram-se divisões internas com divergências quanto a sucessão dos califas o que ganhou dimensões teológicas dividindo-se em sunitas e xiitas. Os primeiros tomam a leitura da suna de forma ortodoxa. Os xiitas dão uma interpretação literal ao Corão e desenvolveram a crença no imã.

A expansão contribuiu para mudança de sede do governo com uma reorganização da administração para atender aos objetivos centralizadores a um Estado burocrático com seus inúmeros funcionários com destaque para o Vizir, espécie de Primeiro Ministro. Além disso, ativou várias rotas comerciais sendo intermediária entre o Oriente e Ocidente num intercâmbio importante com difusão de técnicas, produtos e conhecimentos. Esse contato favoreceu um estreitamento que exerceu influencia cultural, política, e socioeconômica em todo Ocidente. 

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

HOURANI, Albert. Uma história dos povos árabes. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

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